Usina de Itaipu fecha 2025 com produção de energia suficiente para abastecer o planeta por um dia

A Itaipu Binacional encerrou 2025 com desempenho energético e operacional expressivo, consolidando seu papel estratégico para a segurança energética do Brasil e do Paraguai. A usina registrou produção total de 72.879.287 megawatts-hora (MWh), volume 8,63% superior ao de 2024, impulsionado por uma afluência hídrica 8,57% maior e pela elevação da demanda dos sistemas elétricos dos dois países. A geração anual seria suficiente para abastecer o planeta por um dia inteiro ou a região Sudeste do Brasil por cerca de três meses e meio.

Do total produzido, 36% foram destinados ao Paraguai, o que correspondeu a aproximadamente 87% do consumo elétrico nacional. Os 64% restantes atenderam o Brasil, respondendo por cerca de 7% de toda a energia consumida no país em 2025. Esses números evidenciam a centralidade de Itaipu na matriz energética regional e sua capacidade de resposta às necessidades dos sistemas interligados.

Ainda em 2025, no dia 5 de setembro, a usina ultrapassou a marca histórica de 3,1 bilhões de MWh produzidos desde o início da operação, em 1984 — energia suficiente para abastecer o planeta por 44 dias. O feito reforça o protagonismo da binacional na geração de energia limpa e renovável e no desenvolvimento sustentável do Brasil e do Paraguai. Para o diretor-geral brasileiro, Enio Verri, os resultados confirmam o papel estratégico da empresa e refletem o trabalho integrado e a elevada qualificação técnica das equipes brasileiras e paraguaias.

No campo operacional, a taxa de disponibilidade das unidades geradoras atingiu 96,29% do tempo em 2025, superando a meta empresarial de 94%. Segundo o diretor técnico executivo, Renato Sacramento, o desempenho traduz elevada produção, alta confiabilidade e grande flexibilidade operativa. Em um contexto de transição energética, Itaipu se destaca por fornecer energia firme e, sobretudo, por entregar potência de forma instantânea, compensando variações abruptas de carga e a redução da geração solar ao fim do dia.

A otimização da operação foi decisiva em momentos críticos do ano. Em novembro, chuvas intensas e acima das previsões na bacia incremental do rio Paraná exigiram a abertura do vertedouro para controle do nível do reservatório. Em articulação com os operadores nacionais, Itaipu ampliou a oferta de energia aos sistemas brasileiro e paraguaio, maximizando a geração. A abertura do vertedouro, realizada em 9 de novembro de 2025, ocorreu após 696 dias sem uso operacional. Ao longo do ano, o vertedouro foi acionado por apenas nove dias e por curtos intervalos, sendo necessário escoar apenas 0,08% do equivalente da energia produzida.

O uso eficiente dos equipamentos também se refletiu em um recorde histórico de produtividade. Em 2025, a usina gerou 1,100 MW médio por metro cúbico por segundo de água, o melhor índice anual desde o início da operação. O resultado supera em 5,8% a média histórica e representa um ganho adicional estimado em 3,92 milhões de MWh apenas em 2025, fruto da forma otimizada de operar o complexo hidrelétrico.

Comparativos

Os 72,879 milhões de MWh produzidos em 2025 seriam suficientes para abastecer o mundo por 25 horas, o Brasil por 40 dias, o Paraguai por quase três anos ou o estado de São Paulo por seis meses e dez dias. A energia fornecida ao sistema elétrico brasileiro respondeu por 11,6% de toda a geração hidráulica do país no ano. Em comparação com outras grandes usinas, o suprimento de Itaipu foi 59% superior ao de Belo Monte, 78% maior que o de Tucuruí e quase três vezes o de Santo Antônio e Jirau.

Mudança de perfil da carga, importância ainda maior

Com a expansão das fontes renováveis intermitentes, especialmente a solar, Itaipu passou a ser ainda mais demandada no fim da tarde e início da noite, quando ocorre queda na geração solar e aumento rápido do consumo. Nesse cenário, a usina atua como uma “bateria” natural, capaz de responder rapidamente às rampas de carga, garantindo estabilidade e segurança operacional aos sistemas elétricos do Brasil e do Paraguai.

Atualização Tecnológica

Para sustentar esses níveis de desempenho, a Itaipu Binacional conduz o mais amplo plano de atualização tecnológica desde o início da operação, com cerca de US$ 670 milhões já contratados. Iniciado em 2022, o plano prevê 14 anos de serviços e inclui a modernização dos sistemas de controle e proteção das 20 unidades geradoras, da subestação isolada a gás, dos serviços auxiliares, das comportas do vertedouro, da barragem e da subestação da margem direita. Equipamentos eletromecânicos pesados não estão incluídos, por se encontrarem em excelentes condições.

O processo avança em diversas frentes, com projetos executivos aprovados, obras preliminares em curso, implantação do novo sistema digital de supervisão e controle (SCADA) e preparação para a parada da primeira unidade geradora, prevista para 2026. Em janeiro de 2025, foi inaugurado o Cintesc, centro binacional de integração de sistemas e capacitação, que amplia a autonomia, reduz custos e qualifica a formação técnica das equipes envolvidas na modernização da usina.

Fotos: William Brisida e Rubens Fraulini/Itaipu Binacional.