Economia cresce nos indicadores, mas brasileiro segue sentindo perda do poder de compra


O principal debate econômico desta semana no Brasil revelou um contraste cada vez mais evidente entre os números oficiais da economia e a realidade vivida pela população. Mesmo com indicadores positivos em setores como emprego, arrecadação e atividade econômica, pesquisas nacionais mostram que o sentimento predominante entre os brasileiros continua sendo de perda do poder de compra.
A percepção aparece diretamente ligada ao aumento do custo de vida, especialmente em áreas essenciais como alimentação, moradia, crédito e pagamento de dívidas. Na prática, milhões de famílias afirmam que o salário já não consegue acompanhar o ritmo das despesas básicas do mês.
Percepção população
Um dos levantamentos nacionais mais debatidos nos últimos dias foi a pesquisa Genial/Quaest, divulgada no fim de abril e repercutida ao longo destas semanas. Segundo o estudo, 71% dos brasileiros afirmam perceber piora no poder de compra em comparação ao ano anterior.
A pesquisa identificou que o aumento do preço dos alimentos continua sendo o principal fator de insatisfação econômica entre a população. Produtos básicos do supermercado seguem pressionando o orçamento familiar, especialmente entre famílias de renda mais baixa.
O levantamento reforça um fenômeno que economistas vêm chamando de “descompasso econômico”: enquanto indicadores técnicos apontam estabilidade ou crescimento em parte da economia, a população continua sentindo dificuldades no cotidiano.
Endividamento bate níveis elevados no país
Outro dado nacional que dominou o debate econômico veio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o percentual de famílias brasileiras endividadas alcançou 80,9% em abril, um dos maiores índices já registrados pela série histórica.
A pesquisa aponta ainda crescimento da inadimplência e do comprometimento de renda com dívidas bancárias, financiamentos e cartões de crédito. Os dados mostram que boa parte da população não utiliza mais o crédito apenas para consumo, mas para complementar despesas essenciais do mês, como alimentação, aluguel e contas domésticas.
Especialistas apontam que o aumento do custo da moradia também vem ampliando a sensação de perda financeira entre os brasileiros. O reajuste de contratos de aluguel, somado aos juros elevados, impacta diretamente o orçamento das famílias e reduz a capacidade de consumo.
Ao mesmo tempo, o crédito continua caro no país. Juros elevados em cartões, cheque especial e empréstimos transformam pequenas dívidas em compromissos financeiros de longo prazo. O resultado é um ciclo de endividamento contínuo, em que parte da renda mensal já chega comprometida antes mesmo do pagamento cair na conta.
O debate econômico desta semana evidenciou que, para grande parte da população, os indicadores oficiais já não são mais o principal parâmetro para avaliar se o país melhorou ou piorou economicamente. No cotidiano, a percepção do brasileiro continua diretamente ligada ao custo de vida real: o preço da compra no supermercado, o valor do aluguel, os gastos com gás e energia, os juros elevados do cartão de crédito e, principalmente, a quantidade de dinheiro que sobra no fim do mês.
Mesmo com sinais positivos em alguns setores da economia, pesquisas nacionais indicam que a sensação predominante ainda é de insegurança financeira e redução da capacidade de compra das famílias brasileiras.
O que faz o brasileiro sentir que o dinheiro “vale menos”
Mesmo com indicadores positivos em parte da economia, fatores como inflação dos alimentos, aumento dos aluguéis, juros elevados, crescimento do endividamento e uso constante do crédito fazem milhões de brasileiros perceberem perda real do poder de compra no dia a dia. O impacto é sentido principalmente nas despesas básicas, que consomem parcela cada vez maior da renda das famílias.
Assessoria Cidadão Alerta
FONTES
https://cnc.org.br
https://www.quaest.com.br/post/genial-quaest-abril-2026-avaliacao-economica
https://cnc.org.br/assuntos/economia/pesquisa/pesquisa-de-endividamento-e-inadimplencia-do-consumidor-peic