De verde e amarelo, curitibanos fazem da Rua XV um símbolo paranaense do “Acorda Brasil”

(Foto: Elis domingues / Instagram)

Milhares de pessoas foram às ruas em diversas capitais brasileiras neste domingo (1º), na mobilização nacional “Acorda Brasil”, convocada por lideranças da direita com pautas contra o governo Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em Curitiba, o ato ocorreu na tradicional Boca Maldita, na Rua XV de Novembro, com concentração a partir das 14h, em sintonia com manifestações realizadas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Florianópolis (g1/Globo).

Na capital paranaense, o movimento reuniu participantes de diferentes faixas etárias. Muitos vestiam verde e amarelo, empunhavam bandeiras do Brasil e exibiam cartazes com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Segundo o portal Nosso Dia, participantes afirmaram ver o ato como continuidade de mobilizações em outras datas, com o objetivo de “manter o povo despertado” para temas como insegurança jurídica, corrupção e liberdade de expressão (nossodia.com).

A concentração em Curitiba seguiu a convocação nacional divulgada por redes de direita e pelo partido Novo, que listou a Boca Maldita como ponto oficial do “Acorda Brasil” na cidade, com início às 14h. Publicações de convocação destacavam o lema “Fora Lula, Moraes e Toffoli” e defendiam o impeachment do presidente e dos ministros citados, em linha com a narrativa de que o STF teria extrapolado suas competências em decisões envolvendo operações policiais, liberdade de expressão nas redes e processos ligados ao 8 de janeiro (correiodolago.com).

Enquanto, em São Paulo, a Avenida Paulista voltou a ser o principal epicentro das manifestações — com carros de som, lideranças políticas e ampla visibilidade midiática —, em Curitiba o tom foi mais local, com foco na simbologia da Boca Maldita como espaço histórico de debates políticos e manifestações cívicas. Manifestantes destacaram, em entrevistas, que a escolha do local remete à tradição de oposição e crítica pública na cidade desde o século passado (caoquefuma).

O clima do ato em Curitiba foi descrito como pacífico, com discursos inflamados, mas sem registro de confrontos relevantes. Entre as principais reivindicações estavam a pressão sobre o Congresso para avançar em pautas de limitação de poderes do STF; pedidos de anistia ou revisão das penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro; e críticas à política econômica do governo federal, especialmente no que se refere à carga tributária e ao custo de vida (Gazeta do Povo).

A mobilização deste domingo é vista por analistas como um teste de fôlego da direita após um período de dispersão pós-eleições e investigações judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. Em Curitiba, a presença de grupos organizados, faixas padronizadas e a adesão de famílias e idosos sinalizam que a capital paranaense segue como um dos polos mais ativos desse campo político no Sul do país, em sintonia com a estratégia nacional do “Acorda Brasil” de manter a oposição ao governo Lula nas ruas (Gazeta do Povo).