Crise na formação médica: milhares de estudantes sem competências básicas no Brasil


Um alerta grave para o sistema de saúde brasileiro: resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgados pelo Inep em 18 de janeiro de 2026, mostram que 13 mil dos 39 mil estudantes concluintes – equivalentes a 35% do total – não alcançaram a proficiência mínima exigida para exercer a Medicina. A descoberta reacende debates sobre a proliferação descontrolada de cursos superiores e a fragilidade da regulação educacional no país. gov+2 [youtube]
O Enamed, aplicado pela primeira vez em 2025 a formandos de todo o Brasil, avaliou 351 cursos de Medicina. Desses, 99 (28%) receberam conceitos 1 ou 2 – insatisfatórios –, com menos de 40% dos alunos demonstrando domínio básico em competências essenciais, como diagnóstico clínico e raciocínio médico. Em contraste, 204 cursos tiveram desempenho satisfatório (conceitos 3 a 5). Cursos privados, que representam a maioria da expansão recente, concentram as piores notas, com 4 em cada 10 formandos considerados inaptos para a prática profissional, segundo análises do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Federação Médica Brasileira (FMB). cfm+6 [youtube]
A preocupação é imediata: esses milhares de formandos ingressarão no mercado, incluindo o SUS, sem preparo adequado. “É um risco inaceitável à população”, alerta o presidente do CFM, José Hiran Gallo, em nota oficial. Especialistas destacam que o exame não impede a colação de grau atual – uma limitação criticada –, mas ativa medidas corretivas do MEC, como supervisão intensiva, suspensão de vestibulares ou fechamento de cursos ruins. Até agora, 30 cursos já enfrentam processos administrativos. gov+3
O problema tem raízes na expansão acelerada da Medicina: de 180 faculdades em 2013 para mais de 400 hoje, impulsionada por interesses econômicos e judicializações que driblam fiscalizações do MEC e conselhos. “A judicialização enfraquece o Estado regulador”, afirma o deputado Pedro Uczai (PT-PR), relator de CPI sobre cursos superiores em 2025. Reportagens internacionais, como da El País, ecoam a crise, questionando a qualidade da formação médica brasileira em fóruns globais. cnnbrasil+3
Diante disso, cresce o clamor por reformas. O PL 2294/2024, em tramitação na Câmara, propõe exame de proficiência como pré-requisito para registro no CRM, similar ao Revalida para estrangeiros. Conselhos defendem residência médica obrigatória e atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais. O MEC anunciou, em resposta ao Enamed, plano de fiscalização rigorosa em 2026, com possível fechamento de 50 cursos. revistaanamaria+3
Para pacientes e profissionais, o impacto é palpável. Em audiência no Senado em 21 de janeiro, senadores debateram os 13 mil “formandos insuficientes”, com entidades médicas cobrando urgência. “Não podemos formar médicos pela metade”, resumiu Gallo. Enquanto o debate avança, o Brasil enfrenta um dilema: equilibrar acesso à formação com qualidade, sob pena de comprometer décadas de avanços no SUS. [www12.senado.leg]
Assessoria Cidadão Alerta