Argentina registra virada econômica em 2025 com queda da inflação


Em 2025, a economia da Argentina apresentou mudanças relevantes em seus principais indicadores macroeconômicos após a adoção de políticas voltadas ao controle da inflação, ao ajuste fiscal e à reorganização das contas públicas. A leitura desse cenário é baseada em dados produzidos por órgãos oficiais, especialmente o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) e por comunicados institucionais do governo nacional 1, 2.
Inflação anual em queda significativa
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), indicador oficial de inflação, registrou variação acumulada de 31,5% em 2025, conforme divulgação do INDEC. O percentual representa forte desaceleração em relação aos 117,8% observados em 2024, configurando a menor inflação anual desde 2017, segundo a série histórica oficial, 2.
A trajetória de queda da inflação ao longo de 2025 indica mudança de tendência após anos de forte aceleração. Os dados mensais do IPC mostram oscilações ao longo do ano, influenciadas por reajustes regulados, variações cambiais e fatores sazonais, mas com desaceleração consistente quando comparados aos picos de 2023 e 2024, 2.
Superávit fiscal pelo segundo ano consecutivo
De acordo com informações oficiais do Ministério da Economia, a Argentina encerrou o exercício fiscal de 2025 com superávit nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo. O superávit primário foi estimado em cerca de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal — que inclui o pagamento de juros da dívida — alcançou aproximadamente 0,2% do PIB, 3 .
Crescimento da atividade econômica
Indicadores oficiais apontam recuperação da atividade econômica ao longo de 2025. As Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo INDEC mostram crescimento interanual em diversos períodos do ano, com destaque para o segundo trimestre, quando o PIB avançou cerca de 6,3% em relação ao mesmo trimestre de 2024, 1.
Segundo os relatórios oficiais, o crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores de investimento, consumo privado, comércio e construção. Apesar da recuperação, os dados também evidenciam variações ao longo dos trimestres, indicando que o ritmo de expansão não foi homogêneo durante o ano, 1.
O 3º trimestre de 2025 (divulgado em dezembro) registrou crescimento interanual de apenas 3,3%, indicando arrefecimento da recuperação. 4.
Pobreza e condições sociais
Os dados oficiais sobre pobreza indicam redução relevante em 2025. Conforme levantamento do INDEC, cerca de 27,5% da população argentina encontrava-se abaixo da linha de pobreza em dezembro de 2025, percentual inferior aos índices registrados em 2024, quando as medições superaram 50%, 1, 5.
A diminuição da pobreza está associada à desaceleração inflacionária e à recuperação parcial da renda real. O próprio órgão estatístico ressalta que o indicador pode variar conforme metodologia, período de coleta e dinâmica dos preços, exigindo análise contínua e contextualizada, 1.
Indicadores sociais complementares
No mercado de trabalho, os dados oficiais apontam relativa estabilidade. A taxa de desemprego manteve-se próxima de 6,6% no terceiro trimestre de 2025, segundo a Pesquisa Permanente de Lares, refletindo a manutenção do nível de ocupação formal em comparação aos trimestres anteriores, 1, 6.
Relatórios institucionais indicam que o ajuste fiscal foi acompanhado da manutenção de programas sociais voltados a grupos vulneráveis. Ainda assim, o impacto dessas políticas sobre a redução estrutural das desigualdades segue sendo objeto de debate técnico entre órgãos públicos e especialistas, 2.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar dos avanços registrados, a economia argentina permanece exposta a desafios estruturais. A inflação mensal acelerou em dezembro para 2,8%, acumulando o quarto mês consecutivo de alta, sugerindo pressões inflacionárias que podem comprometer as metas futuras do governo, 7. Comunicados oficiais apontam riscos relacionados à volatilidade cambial, às condições do comércio internacional e à dependência de fatores externos, como custos de importação e fluxo de capitais, 3.
Projeções citadas em documentos oficiais indicam que o ritmo de crescimento tende a se moderar nos próximos anos. A consolidação da estabilidade macroeconômica depende, segundo essas análises, da continuidade do equilíbrio fiscal, da ampliação do investimento produtivo e do acesso ao financiamento internacional, 3.
Assessoria Cidadão Alerta
REFERÊNCIAS
2 – https://www.argentina.gob.ar
3 – https://www.argentina.gob.ar/economia
4 – https://www.poder360.com.br/poder-economia/pib-da-argentina-avanca-33-no-3o-trimestre-de-2025/
6 – https://pt.tradingeconomics.com/argentina/unemployment-rate