Brasil mantém nota baixa em ranking de corrupção; fiscalização e participação ajudam a enfrentar o problema


O Brasil permanece em situação preocupante no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, divulgado em 10 de fevereiro de 2026 pela Transparência Internacional. Com 35 pontos, ocupa a 107ª posição entre 182 países e territórios. É a segunda pior pontuação brasileira na série comparável, iniciada em 2012. O resultado reforça a necessidade de fortalecer a prevenção, a fiscalização e a responsabilização por desvios de recursos públicos.
A nota subiu um ponto em relação a 2024, quando o país registrou seu pior resultado: 34. A diferença, porém, é estatisticamente insignificante e indica estagnação. O Brasil segue abaixo das médias mundial e das Américas, ambas de 42 pontos. A Dinamarca lidera, com 89, enquanto Somália e Sudão do Sul aparecem na última colocação, com nove.
O índice mede a percepção de especialistas e executivos sobre a corrupção no setor público, numa escala de zero a 100: quanto maior a nota, melhor o desempenho. Não representa uma contagem de crimes nem uma pesquisa de opinião com a população. A edição utiliza até 13 fontes independentes; oito foram consideradas na avaliação brasileira.
Enfrentar o problema exige instituições capazes de investigar e responsabilizar os envolvidos, além de controles que identifiquem riscos antes dos pagamentos. A Transparência Internacional recomenda fortalecer os sistemas de Justiça, ampliar a fiscalização dos gastos e proteger a liberdade de imprensa e a participação social. Essas medidas ajudam a preservar recursos necessários para serviços como saúde, educação e infraestrutura.
Uma experiência brasileira é a Alice, ferramenta da Controladoria-Geral da União (CGU) que analisa automaticamente editais e processos de contratação. Segundo o órgão, a iniciativa gerou economia superior a R$ 3,15 bilhões desde 2023. Integrada ao Compras.gov.br, ela comunica riscos aos gestores durante o processo, permitindo corrigir problemas antes da assinatura dos contratos. A CGU ressalta que alertas não comprovam irregularidades: precisam de avaliação técnica.
Outro exemplo vem da sociedade civil. Em 2025, 41 unidades do Observatório Social do Brasil acompanharam 6.153 licitações, com valores estimados superiores a R$ 10 bilhões. Segundo a entidade, recomendações e ajustes anteriores às contratações produziram economia acima de R$ 9 milhões. O trabalho busca corrigir falhas, ampliar a concorrência e prevenir desperdícios. Esses resultados demonstram possibilidades de prevenção, sem significar que todos os problemas identificados fossem corrupção.
A transparência também oferece instrumentos concretos de fiscalização. No https://portaldatransparencia.gov.br/, qualquer pessoa pode consultar informações sobre o uso de recursos federais. A plataforma reúne dados de despesas, transferências, emendas parlamentares e empresas punidas. A consulta permite acompanhar o destino do dinheiro e formular perguntas sobre sua aplicação.
Para comunicar suspeitas relacionadas ao Executivo federal, o cidadão pode utilizar o Fala.BR, link: https://falabr.cgu.gov.br/. A plataforma recebe denúncias e pedidos de acesso à informação. É possível denunciar anonimamente, mas, nessa modalidade, não há recebimento de resposta nem acompanhamento por protocolo. Nas denúncias identificadas, existem mecanismos de proteção dos dados do denunciante. O relato deve ser encaminhado ao órgão competente e apresentar informações que permitam verificar os fatos.
Na prática, vale reunir datas, locais, números de contratos e documentos disponíveis, distinguindo fatos observados de suspeitas. Participar de observatórios sociais é outra possibilidade: voluntários podem acompanhar obras, entregas, merenda escolar e transparência municipal. A fiscalização cidadã ganha força quando transforma dúvidas em perguntas documentadas e encaminha indícios para apuração. Cobrar informações claras e acompanhar as respostas são formas de manter o controle sobre recursos que pertencem à população. Esse acompanhamento deve ser contínuo, independentemente de partidos, governos ou períodos eleitorais.
Assessoria Cidadão Alerta/Imagem gerada por IA
FONTES
https://www.transparency.org/en/cpi/2025
https://www.gov.br/ouvidorias/pt-br/cidadao/acesso-FalaBR
https://www.gov.br/ouvidorias/pt-br/ouvidorias/orientacoes/cidadao
https://www.gov.br/mdr/pt-br/acesso-a-informacao/sic/como-registrar-denuncia-anonima-pelo-fala.br
https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/auditoria-e-fiscalizacao/alice/alice-para-o-gestor/alice-para-o-gestor
https://portaldatransparencia.gov.br/noticias/portal-da-transparencia-registra-o-maior-numero-acessos-da-historia-em-2024
https://www.osbrasil.org.br/monitoramento-de-licitacoes-realizado-por-observatorios-sociais-resulta-em-economia-de-r-9-milhoes/
https://www.gov.br/mds/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/integridade/campanhas/denuncias-e-protecao-ao-denunciantehttps://transparenciainternacional.org.br/posts/brasil-repete-pior-posicao-e-segunda-pior-nota-no-indice-de-percepcao-da-corrupcao/