Carros elétrico e a combustão desenvolvidos por alunos da UFPR acumulam premiações nacionais


Projeto reúne 114 integrantes, desenvolve carros elétrico e a combustão, acumula resultados em competições nacionais e abre espaço para empresas associarem suas marcas à formação profissional e à inovação tecnológica
Antes de chegar à pista, um carro da Fórmula SAE passa por projeto, cálculos, fabricação, testes, gestão de custos e uma sequência de decisões semelhantes às enfrentadas diariamente pela indústria. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), esse processo está nas mãos dos estudantes. O projeto de extensão UFPR Fórmula reúne 114 integrantes e mantém simultaneamente dois protótipos: um elétrico e outro equipado com motor a combustão.
O desempenho em competições nacionais ajuda a dimensionar a evolução do projeto. Em 2025, o protótipo a combustão RM08 conquistou o 8º lugar geral na Fórmula SAE Brasil e terminou na 4ª colocação na prova de Enduro, resultado apontado pela própria universidade como o melhor alcançado pela equipe até então. Segundo a equipe, a UFPR também foi a única a conseguir concluir o Enduro em muito tempo, resultado que reforça a confiabilidade e a resistência alcançadas pelo protótipo durante a competição.
Em 2026, a UFPR desenvolveu dois novos veículos: o RM09, a combustão, e o AM06, elétrico. Os protótipos foram apresentados oficialmente antes de seguirem para a Fórmula SAE Brasil, realizada em julho, em Tatuí, no interior de São Paulo.
Criada em 2015 por estudantes de Engenharia Mecânica, a equipe transformou-se em um ambiente multidisciplinar que aproxima a formação acadêmica dos desafios encontrados no mercado. Segundo informações do projeto, mais de 400 estudantes, de mais de 15 cursos, já participaram da iniciativa. Atualmente, os integrantes estão distribuídos em áreas técnicas e administrativas responsáveis por motor, transmissão, chassi, aerodinâmica, direção, suspensão, freios, sistemas elétricos, gestão, marketing e negócios.
Da sala de aula para a indústria
Na categoria a combustão, o motor funciona como plataforma para estudos e testes de integração de sistemas, calibração, desempenho, confiabilidade e eficiência energética. Uma proposta apresentada pela equipe no Orçamento Estudantil Participativo da UFPR, em abril de 2026, estimou em R$ 22 mil somente a aquisição de um motor destinado ao desenvolvimento do protótipo.
Há ainda despesas que não aparecem quando o carro está pronto para a fotografia. Para viabilizar a participação de aproximadamente 55 estudantes na Fórmula SAE Brasil de 2026, realizada em julho, a equipe estimou R$ 33,2 mil para estadia, alimentação, hidratação, itens de higiene e seguro obrigatório dos pilotos. As inscrições dos veículos nas categorias elétrica e a combustão representaram custos adicionais.
Esses números evidenciam um dos principais desafios enfrentados pelas equipes universitárias de competição: a inovação exige recursos. Materiais, componentes, ferramentas, usinagem, transporte e desenvolvimento técnico formam uma cadeia de custos que precisa ser renovada a cada ciclo. No UFPR Fórmula, o planejamento é anual e acompanha a construção e a evolução dos veículos.
Dois carros, um laboratório de formação
A UFPR participou da Fórmula SAE Brasil de 2026 com seus protótipos desenvolvidos para as categorias elétrica e a combustão. O diferencial do projeto paranaense está justamente na manutenção simultânea das duas tecnologias, característica ainda restrita a poucas equipes universitárias brasileiras.
Essa convivência entre tecnologias tradicionais e novas soluções de mobilidade amplia o caráter de laboratório do projeto. Enquanto os estudantes colocam em prática conceitos aprendidos na graduação, as empresas têm a oportunidade de acompanhar profissionais ainda em formação enfrentando problemas reais de engenharia, gestão e inovação. O apoio ao UFPR Fórmula permite associar marcas à pesquisa aplicada, à qualificação de mão de obra e ao desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor automotivo.
Informações/imagens: UFPR