Saúde mental e relações sociais: como reconhecer o sofrimento e pedir ajuda


A campanha Setembro Amarelo amplia o debate sobre prevenção do suicídio, mas também chama a atenção para situações que podem anteceder uma crise: solidão, isolamento, sofrimento emocional, perda de vínculos e dificuldade de pedir ajuda. Falar sobre saúde mental de maneira responsável é importante durante todo o ano, especialmente porque muitas pessoas escondem o que sentem por vergonha, medo de julgamento ou receio de incomodar familiares e amigos.
Solidão não significa apenas estar fisicamente sozinho. Uma pessoa pode conviver com colegas, familiares e seguidores nas redes sociais e, ainda assim, sentir que não possui alguém com quem possa conversar abertamente. Conflitos familiares, luto, desemprego, dificuldades financeiras, discriminação, doenças, sobrecarga de trabalho e rompimentos afetivos podem aumentar o sofrimento.
Mudanças persistentes de comportamento merecem atenção, principalmente quando aparecem ao mesmo tempo. Afastamento da família e dos amigos, perda de interesse por atividades antes consideradas prazerosas, alterações intensas no sono ou no apetite, irritabilidade, desesperança e falas frequentes sobre inutilidade ou falta de sentido podem indicar que a pessoa precisa de apoio.
Esses sinais não permitem concluir, isoladamente, que alguém está em risco de suicídio. No entanto, não devem ser ignorados. O Ministério da Saúde orienta que manifestações sobre morte, desaparecimento ou desejo de não continuar vivendo sejam acolhidas com seriedade, sem críticas, ameaças ou julgamentos.
Como oferecer apoio
Ao perceber que alguém não está bem, uma abordagem simples pode abrir espaço para o diálogo: “Percebi que você está diferente. Quer conversar?”. Durante a conversa, o mais importante é ouvir com atenção. Frases como “isso é falta de força”, “você precisa reagir” ou “há pessoas em situação pior” podem aumentar o sentimento de culpa e afastar quem precisa de ajuda.
Também não é necessário ter todas as respostas. Familiares e amigos podem acolher, demonstrar disponibilidade e ajudar a pessoa a procurar atendimento. Redes de apoio podem incluir parentes, amizades, vizinhos, colegas, lideranças comunitárias, grupos religiosos, escolas e serviços públicos. O vínculo social não substitui o acompanhamento profissional, mas pode impedir que o sofrimento seja enfrentado em completo isolamento.
Se a pessoa mencionar intenção de se machucar ou tirar a própria vida, é recomendável perguntar de forma direta e cuidadosa se existe risco imediato. Falar sobre o assunto não incentiva o suicídio; ao contrário, pode permitir que a pessoa revele o que está vivendo. Em uma situação de risco, ela não deve permanecer sozinha e precisa ser encaminhada imediatamente a um serviço de saúde.
Onde procurar atendimento
A porta de entrada do Sistema Único de Saúde pode ser a Unidade Básica de Saúde. Conforme a necessidade, o usuário poderá ser encaminhado à Rede de Atenção Psicossocial, que inclui os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS. Esses serviços oferecem acompanhamento multiprofissional para pessoas em sofrimento mental, inclusive em situações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
Nos casos de urgência, a orientação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento, pronto-socorro ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192. Quando houver perigo imediato e não for possível acessar rapidamente um serviço de saúde, também pode ser acionado o telefone 190.
O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e sem julgamentos pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia e sem custo de ligação. O atendimento também pode ser realizado por chat e e-mail no site do CVV. O serviço de escuta não substitui tratamento médico ou psicológico, mas pode oferecer apoio em um momento difícil e ajudar a romper o silêncio.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma medida de proteção. Da mesma forma, oferecer presença, escuta e acompanhamento pode fazer diferença na vida de alguém. Saúde mental também se constrói por meio de relações respeitosas, acesso a direitos e redes de cuidado que não abandonem a pessoa quando ela mais precisa.
Assessoria Cidadão Alerta/Imagem gerada por IA
FONTES
https://cvv.org.br/
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/samu-192
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio-prevencao
https://www.pmpr.pr.gov.br/servicos/Servicos/Policia/Acionar-emergencia-policial-190-4EoVn5on