Escala 6×1: debate no Congresso acende alerta para perda de empregos formais

Estudos apontam risco de perda de até 600 mil empregos e impacto bilionário na economia

A possível mudança na jornada de trabalho no Brasil, com o fim da escala 6×1, já mobiliza estudos técnicos e acende um alerta concreto sobre impactos econômicos e no mercado de trabalho. Levantamentos recentes indicam que a medida pode provocar a perda de mais de 600 mil empregos formais, além de reduzir a produção e pressionar custos em diversos setores da economia.

De acordo com análises econômicas baseadas em dados do mercado brasileiro, a redução da jornada sem diminuição proporcional de salários tende a elevar o custo do trabalho por hora, o que pode levar empresas a reduzir contratações ou diminuir sua produção. Estimativas apontam impacto de até R$ 88 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e queda de cerca de 2% na produção formal, além de retração no nível de emprego.

No Paraná, onde setores intensivos em mão de obra — como agronegócio, comércio e indústria — têm forte peso econômico, os efeitos podem ser ainda mais sensíveis. Entidades do setor produtivo alertam que a combinação de aumento de custos e dificuldade de contratação pode pressionar preços, reduzir margens e afetar diretamente a geração de empregos.

“Campanha demagógica”, diz senador sobre proposta em debate
Durante sessão plenária no Senado, o senador Oriovisto Guimarães (PSDB/PR) fez duras críticas à articulação política que vincula a redução da jornada de trabalho ao avanço de novas desonerações fiscais. Para ele, a proposta representa um risco à sustentabilidade das contas públicas.

“É o suprassumo da falta de moral na política”, disse o senador Oriovisto Guimarães, ao comentar a discussão no Congresso sobre a votação de uma nova proposta de desoneração da folha de pagamento das empresas como compensação para o fim da escala 6 X 1. “É como dizer ‘aprove uma medida ruim que eu aprovo uma coisa péssima’. É impressionante isso estar prosperando. A previdência está quebrada e as contas públicas têm um déficit absurdo. Ainda assim, querem desonerar ainda mais. Uma campanha absolutamente demagógica”.

O senador também criticou a proposta de mudança na escala de trabalho. “Para Oriovisto, a mudança na escala de trabalho de 6 X 1 para 5 X 2, sem redução de salário, é absurda: ‘Quanto produz um trabalhador brasileiro comparado a países mais desenvolvidos? Em relação à carga horária, o Brasil é um dos países em que menos se trabalha. E quanto menos interferência do governo, melhor’”.

Faep/Senar-PR alerta para aumento de custos e risco à produção
No Paraná, o Sistema FAEP/SENAR-PR tem se posicionado de forma crítica à proposta. A entidade afirma que a mudança pode elevar significativamente os custos de produção e agravar a escassez de mão de obra no campo, afetando diretamente a produção de alimentos.

Segundo a entidade, a redução da jornada semanal para 36 horas, sem redução de salário, tende a aumentar o custo da hora trabalhada e para manter a produção.

Estudos citados pela própria FAEP, incluindo análises da Fundação Getulio Vargas (FGV), indicam que a medida pode reduzir a eficiência da economia e comprometer a competitividade de setores estratégicos. No campo, onde a mão de obra representa parcela relevante dos custos, o impacto pode chegar ao preço final dos alimentos.

Impactos diretos na vida do cidadão
Embora o debate esteja concentrado no Congresso, seus efeitos são diretos no cotidiano da população. A eventual redução de empregos e o aumento de custos produtivos tendem a repercutir em preços mais altos, menor dinamismo econômico e possíveis restrições no mercado de trabalho.

No Paraná, isso se reflete especialmente em municípios com forte dependência do agronegócio e do comércio. Cidades como Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo podem sentir impactos na geração de renda, na oferta de empregos e no custo de vida.

Além disso, a redução da atividade econômica pode afetar a arrecadação pública, com reflexos na capacidade de investimento em saúde, educação e assistência social.

Um debate em aberto
Apesar das projeções negativas apresentadas por parte do setor produtivo, há estudos que apontam efeitos distintos. Pesquisas acadêmicas indicam que a redução da jornada poderia, em determinados cenários, aumentar a produtividade e até gerar novos empregos, especialmente se acompanhada de reorganização do trabalho e inovação tecnológica.

Esse contraste evidencia que o tema ainda está em disputa técnica e política, exigindo análises mais aprofundadas e diálogo entre governo, trabalhadores e setor produtivo.

O que está em jogo
A discussão sobre a escala de trabalho 6×1 e a desoneração da folha revela um ponto central: o equilíbrio entre direitos trabalhistas, sustentabilidade econômica e responsabilidade fiscal.

No caso do Paraná, onde a economia é fortemente baseada na produção agroindustrial e em cadeias intensivas em mão de obra, decisões dessa natureza têm potencial de gerar efeitos amplos, desde o campo até o consumidor final.

Mais do que uma mudança na jornada, o debate envolve o futuro do mercado de trabalho, da competitividade e da própria capacidade do Estado de sustentar políticas públicas.

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Assessoria Cidadão Alerta

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

FONTES
https://www.sistemafaep.org.br
https://www.cnnbrasil.com.br/economia
https://www.infomoney.com.br
https://exame.com
https://www.ipea.gov.br