Crise política no Peru: sucessões presidenciais e impactos na estabilidade nacional


O Peru enfrenta uma das mais graves crises políticas de sua história recente, marcada por sucessivas mudanças na presidência. Nos últimos oito anos, o país teve oito presidentes, reflexo de uma instabilidade institucional profunda. A mais recente destituição ocorreu em 17 de fevereiro de 2026, quando o Congresso peruano afastou José Jeri após apenas quatro meses no cargo. Jeri foi acusado de tráfico de influência por realizar reuniões não oficiais com empresários chineses, sem a devida comunicação às autoridades competentes.
A instabilidade política peruana tem raízes em fatores estruturais e conjunturais. A fragmentação partidária, a ausência de coalizões sólidas e a desconfiança generalizada nas instituições públicas contribuem para a constante troca de líderes. Além disso, a utilização frequente de mecanismos como a “incapacidade moral permanente” para destituir presidentes evidencia uma cultura política voltada para a sobrevivência no poder, em vez de uma governança estável.
Entre os presidentes mais bem avaliados nas últimas décadas, destaca-se Valentín Paniagua, que assumiu interinamente após a queda de Alberto Fujimori em 2000. Paniagua é lembrado por sua gestão ética e por conduzir o país a eleições democráticas. Outro nome relevante é Francisco Sagasti, que liderou o país em 2020 após a crise gerada pela destituição de Martín Vizcarra e a breve presidência de Manuel Merino. Sagasti buscou restaurar a confiança nas instituições e promover eleições transparentes.
A sucessão de presidentes no Peru tem impactos significativos na economia e na sociedade. A instabilidade política afasta investimentos estrangeiros, desacelera o crescimento econômico e agrava problemas sociais, como a desigualdade e a pobreza. Além disso, a constante troca de líderes dificulta a implementação de políticas públicas de longo prazo, comprometendo o desenvolvimento sustentável do país.
Causas da instabilidade
A sucessiva troca de líderes no Peru decorre de um conjunto de fatores estruturais que fragilizam a governabilidade. Entre eles, destaca-se a fragmentação partidária, marcada pela ausência de legendas consolidadas capazes de sustentar coalizões duradouras. Soma-se a isso o recorrente conflito entre Executivo e Legislativo, com embates frequentes que, não raro, culminam em processos de impeachment. Esse ambiente de instabilidade é agravado pela baixa popularidade dos mandatários, que enfrentam elevados índices de desaprovação, como foi o caso de Dina Boluarte, cuja aprovação chegou a apenas 2%, evidenciando a erosão da confiança pública e ampliando a crise política no país.
Presidentes recentes e suas avaliações
Desde 2016, o Peru atravessou uma sequência de governos marcada por rupturas institucionais e crises políticas. Pedro Pablo Kuczynski (2016–2018) renunciou em meio a acusações de corrupção, sendo sucedido por Martín Vizcarra (2018–2020), posteriormente destituído sob a alegação de “incapacidade moral”. Manuel Merino assumiu em 2020, mas deixou o cargo poucos dias depois diante de protestos massivos. Na sequência, Francisco Sagasti (2020–2021) ocupou a presidência de forma interina e ficou associado a uma postura conciliadora em um momento de forte tensão. Pedro Castillo (2021–2022) foi preso após tentar dissolver o Congresso, enquanto Dina Boluarte (2022–2025) enfrentou intensas manifestações e acabou destituída. Mais recentemente, José Jerí (2025–2026) perdeu o cargo após um escândalo envolvendo encontros não divulgados. Entre esses líderes, Sagasti é frequentemente apontado como um dos mais bem avaliados, sobretudo por sua condução técnica e pela busca de estabilidade em um cenário político conturbado.
Impactos na sociedade e economia
A instabilidade política no Peru produz efeitos imediatos sobre a economia e o tecido social do país. A incerteza institucional contribui para a redução dos investimentos estrangeiros, uma vez que o ambiente de risco afasta potenciais aportes e compromete a previsibilidade dos negócios. Esse cenário também favorece a desaceleração econômica, com projetos sendo interrompidos ou adiados diante da falta de garantias políticas. Como desdobramento, observa-se o agravamento da pobreza e da desigualdade, reflexo da dificuldade em manter políticas públicas consistentes. Paralelamente, a confiança da população nas instituições segue em declínio, evidenciada pelo descontentamento manifestado em protestos e mobilizações nas ruas.
O Peru se prepara para eleições gerais em 12 de abril de 2026. Com um cenário político fragmentado e a proposta de retorno ao sistema bicameral no Congresso, há esperança de que reformas institucionais possam trazer maior estabilidade. No entanto, o caminho para a recuperação da confiança pública e o fortalecimento da democracia ainda é longo.
Assessoria Cidadão Alerta
FONTES
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yj0zj22yeo
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/congresso-do-peru-destitui-presidente-jose-jeri/
https://www.reuters.com/world/china/perus-congress-begins-debating-removal-president-jeri-2026-02-17/
https://elpais.com/america/2025-10-10/dina-boluarte-la-presidenta-que-beso-el-sotano-de-la-popularidad.html
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/quem-e-dina-boluarte-e-por-que-ela-foi-destituida-da-presidencia-do-peru/
https://operamundi.uol.com.br/america-latina/peru-congresso-reune-assinaturas-para-impeachment-de-interino-jose-jeri/
https://www.dpaminvestments.com/professional-intermediary/es/en/angle/perus-presidency-carousel?utm_source=chatgpt.com
https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/no-peru-governar-deixou-de-ser-exercicio-de-mandato-e-passou-a-ser-exercicio-de-sobrevivencia.shtml