Entre socialmente atraente, mas economicamente preocupante: debate sobre escala 6×1 vira campo de batalha


O Congresso Nacional intensificou as discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho 6×1, substituindo-a por uma escala 5×2, com dois dias de descanso semanal e redução da carga horária de 44 para 36 horas semanais, sem diminuição salarial. A medida, considerada prioritária pelo governo federal, está pronta para votação no Senado e aguarda deliberação na Câmara dos Deputados. [1]
A PEC 48/2015, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, propõe uma transição gradual: no primeiro ano após a promulgação, a jornada semanal seria reduzida para 40 horas, diminuindo uma hora por ano até atingir 36 horas. A proposta também assegura dois dias consecutivos de descanso semanal, preferencialmente aos sábados e domingos. [2]
Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) destacou a importância de acelerar o debate sobre a PEC, buscando equilíbrio entre os interesses de trabalhadores e empregadores. Ele mencionou a possibilidade de o governo federal enviar um projeto próprio para unificar as propostas em tramitação. [3]
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho também ganhou destaque na Câmara dos Deputados, onde o relator Luiz Gastão (PSD-CE) apresentou um parecer propondo a diminuição da jornada máxima para 40 horas semanais, com restrições à escala 6×1. No entanto, não houve consenso para votação, e o relatório continua em análise. [4]
Especialistas apontam que a mudança pode trazer benefícios significativos para a saúde mental dos trabalhadores e para a economia. Estudos internacionais indicam que jornadas reduzidas aumentam a produtividade e reduzem afastamentos por doenças. No Brasil, em 2025, mais de 546 mil afastamentos foram registrados por transtornos mentais relacionados ao trabalho. [5]
A proposta enfrenta forte resistência do setor produtivo, que vê na mudança uma intervenção direta na organização do mercado de trabalho. Entidades empresariais alertam para o aumento imediato dos custos operacionais — sobretudo em segmentos intensivos em mão de obra, como comércio, serviços e indústria — e para o risco de efeito cascata sobre preços, inflação e nível de emprego. Nos bastidores, lideranças do empresariado classificam a medida como “socialmente atraente, mas economicamente temerária”, argumentando que a redução da jornada sem ajuste proporcional de produtividade pode pressionar margens já comprimidas e desestimular novas contratações. [1]
Do outro lado, o relator da PEC no Senado, senador Rogério Carvalho (PT-SE), sustenta que a proposta corrige uma distorção histórica nas relações de trabalho e tende a beneficiar milhões de brasileiros regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de servidores públicos e trabalhadores avulsos. Para o parlamentar, a reorganização da jornada deve ser interpretada como investimento em qualidade de vida e eficiência laboral — uma aposta política que, se por um lado amplia direitos, por outro testa até onde o Congresso está disposto a avançar em uma agenda trabalhista com potencial de dividir a economia e o próprio Parlamento. [1]
O governo federal, por meio da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reforçou o compromisso com a aprovação da PEC ainda no primeiro semestre de 2026, destacando a importância da medida para a modernização das relações de trabalho no país. [3]
Assessoria Cidadão Alerta
Referências:
- https://portalvv8.com.br/noticia/50703/fim-da-jornada-6×1-preve-reducao-gradual-do-horario-de-trabalho
- https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/01/23/pecs-do-mandato-de-5-anos-e-do-fim-da-escala-6×1-podem-ir-a-plenario
- https://www.tribunadopovoto.com.br/noticia/93734/motta-promete-avancar-sobre-escala-6×1-e-trabalho-por-aplicativos
- https://www.camara.leg.br/noticias/1229360-RELATOR-PROPOE-JORNADA-MAXIMA-DE-40-HORAS-E-RESTRICOES-A-ESCALA-6X1
- https://www.brasil247.com/blog/fim-da-jornada-de-trabalho-6×1-por-que-a-reducao-da-jornada-e-o-proximo-passo-para-o-brasil