Programa Gás do povo

Gás do Povo: ajuda social ou estratégia eleitoral?

O “Gás do Povo”, aprovado pela Câmara em fevereiro de 2026, é mais um capítulo do assistencialismo eleitoral promovido pelo governo Lula. Em pleno ano de disputa política, o programa substitui o antigo Auxílio Gás por um benefício mais direto e palpável: botijão de gás gratuito ou o pagamento em dinheiro de, no mínimo, 50% do preço médio do produto.

A iniciativa pretende alcançar 15 milhões de famílias, o que representa cerca de 50 milhões de eleitores em potencial. O timing não parece coincidência. O alívio imediato no bolso das famílias mais pobres funciona como um lembrete constante do governo às vésperas do pleito, criando um vínculo direto entre benefício e escolha nas urnas.

O custo, no entanto, é elevado e levanta sérias preocupações. Estima-se um gasto de R$ 3,57 bilhões já em 2025 e R$ 5,1 bilhões em 2026, com a distribuição anual de aproximadamente 65 milhões de botijões de gás. Em um país com contas públicas cronicamente deficitárias, dívida em crescimento e juros elevados, ampliar despesas recorrentes dessa magnitude significa pressionar ainda mais um cenário fiscal já fragilizado.

Embora o programa possa aliviar o cotidiano de milhões de brasileiros, ele reforça uma estratégia conhecida: priorizar medidas de curto prazo, com forte apelo popular, em detrimento de soluções estruturais para a pobreza. Enquanto áreas como saúde, educação e infraestrutura seguem enfrentando subfinanciamento, o governo opta por políticas de impacto imediato e retorno político rápido.

Fica a pergunta que o debate público insiste em adiar: onde entra a sustentabilidade fiscal e a definição clara de prioridades? Em ano eleitoral, tudo indica que essas discussões ficam em segundo plano, substituídas por ações que rendem votos hoje — ainda que cobrem um preço alto no futuro.