Febraban vê ‘volume atípico’ de ataques ao BC e aponta uso de perfis de entretenimento em campanha pró-Master

O Banco Central do Brasil (BC) virou alvo de uma onda de ataques coordenados nas redes sociais, após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025. Levantamentos citados por imprensa e Febraban apontam ao menos 46 perfis de influenciadores publicando, em janelas de tempo muito próximas, críticas ao BC e à decisão sobre o Master, em diferentes plataformas. Muitos desses perfis são de humor, fofoca ou entretenimento, sem histórico de atuação em economia ou finanças. revistaoeste+3
O caso tem origem em suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master ao BRB, com potencial prejuízo de até R$ 12 bilhões, investigado pela Polícia Federal. Parecer técnico do então diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, apontou irregularidades e levou o BC a vetar a operação e, depois, a liquidar o banco com decisão colegiada unânime. A medida foi contestada politicamente e em instâncias como TCU e STF, mas contou com apoio de entidades do sistema financeiro. jornaldebrasilia+2
Nas redes, os ataques miraram especialmente Renato Gomes, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino, e até familiares, com narrativas de “insegurança jurídica” e “interpretação volátil de normas”. Conteúdos repetiam argumentos semelhantes, questionando por que o BC teria ignorado propostas de salvamento, como a do BRB, e sugerindo perseguição regulatória. A Febraban e jornalistas identificaram padrão de textos quase idênticos, replicados em diversas páginas e perfis de celebridades de internet. cidademanchete+2
Há indícios de recrutamento ativo de influenciadores para defender o Master. Alguns relataram abordagens com ofertas financeiras para participar de um “projeto DV” (iniciais associadas ao controlador do banco, Daniel Vorcaro), o que foi recusado por parte deles. Mensagens divulgadas por parlamentares mostram propostas de “gestão de crise” com uso de perfis grandes para pressionar o BC e “enfrentar o sistema”. Agências citadas como Banca Digital e grupos de mídia digital negam pagamento específico por esses posts, alegando espontaneidade, mas o volume concentrado chama atenção. facebook+2
Como reação, o BC estuda acionar a Polícia Federal para investigar possível difamação e uso de milícias digitais, enquanto a Febraban mapeia o fenômeno como “volume atípico” de postagens pagas ou coordenadas. Funcionários do BC divulgaram nota de repúdio à campanha, reforçando a necessidade de proteger decisões técnicas de pressões políticas e midiáticas. O episódio expõe o risco de captura regulatória via redes sociais e deve pesar nas análises de TCU, STF, PF e MPF sobre o caso Master e a governança do sistema financeiro. brasil247+5
Assessoria Cidadão Alerta
Referências:
- https://revistaoeste.com/politica/bc-vira-alvo-de-ataques-coordenados-nas-redes-sociais-depois-da-liquidacao-do-banco-master/
- https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/politica-e-poder/pelo-menos-46-perfis-da-internet-fazem-ataques-simultaneos-a-bc-e-investigadores-do-caso-master/
- https://www.brasil247.com/economia/febraban-identifica-postagens-pagas-contra-a-liquidacao-do-master
- https://cidademanchete.com.br/influenciadores-denunciam-campanha-contra-o-bc-na-rede-social/
- https://sbtnews.sbt.com.br/colunas/coluna-da-raquel/bc-vai-pedir-a-pf-para-investigar-ataques-coordenados-nas-redes-por-causa-do-banco-master
- https://www.facebook.com/mblivre/posts/influenciadores-afirmam-ter-recebido-propostas-para-difundir-em-seus-perfis-nas-/1429195918863899/
- https://www.instagram.com/p/DS96A_0CviK/
- https://revistaoeste.com/politica/mensagens-sugerem-que-influenciadores-atuaram-de-forma-coordenada-em-defesa-do-banco-master/