Captura de Maduro pelo EUA coloca diplomacia brasileira em xeque

A captura de Nicolás Maduro pelas forças especiais dos Estados Unidos em uma operação militar inédita na madrugada de 3 de janeiro de 2026 marca um endurecimento drástico da política externa americana em relação à Venezuela, sob o comando do presidente Donald Trump, reeleito e inaugurado em janeiro de 2025. Essa ação, que incluiu bombardeios em Caracas e a prisão de Maduro e sua esposa Cilia Flores, reflete uma atualização agressiva da Doutrina Monroe, visando retomar influência na América Latina, neutralizar ameaças russas e chinesas, e garantir acesso ao petróleo venezuelano. Tal movimento pressiona diretamente a diplomacia brasileira, obrigando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a abandonar ambiguidades históricas em relação ao regime chavista e adotar uma posição mais clara em um contexto de instabilidade regional. bbc+2

Contexto da Captura e Política dos EUA

A operação “Resolução Absoluta”, executada pela Força Delta, foi planejada por meses e comparada à caçada a Osama bin Laden em 2011, surpreendendo Maduro em seu quarto. Trump anunciou publicamente que os EUA “governarão” a Venezuela durante uma transição política, impondo ultimatos à vice-presidente Delcy Rodríguez para negociações sobre óleo, narcotráfico e democracia. Essa postura reflete sanções ampliadas, embargo naval e presença militar no Caribe desde agosto de 2025, com porta-aviões como o USS Gerald R. Ford e 15 mil tropas, sinalizando riscos de intervenções em Cuba e Colômbia. Analistas destacam que Washington busca um parceiro em Caracas para acordos que Maduro rejeitava, sob ameaça de novas ações militares. cnn+1​​

Reação Inicial do Governo Lula

Lula condenou o ataque como “inaceitável” e “afronta à soberania venezuelana”, chamando-o de violação flagrante ao direito internacional que ameaça a América do Sul como “zona de paz”. Em nota oficial, o presidente destacou o “precedente perigoso” e cobrou resposta vigorosa da ONU, convocando reunião de emergência no Itamaraty com ministros para avaliar impactos, incluindo possível fluxo de refugiados. Apesar da crítica, a demora de sete horas para a manifestação inicial revela hesitação, e o governo reconheceu provisoriamente Delcy Rodríguez como líder interina, condicionada a demandas americanas. globo+2

Pressões sobre a Diplomacia Brasileira

O Brasil enfrenta um dilema: preservar laços com Trump, após distensionamento pós-tarifaço e negociações econômicas, sem queimar pontes com aliados como China e Rússia, que reagiram timidamente via ONU. Especialistas apontam que o fracasso do diálogo brasileiro em impedir a ação expõe limitações da liderança regional do Itamaraty, pressionando Lula a equilibrar condenação à intervenção com pragmatismo para evitar sanções ou instabilidade fronteiriça. Internamente, opositores exploram laços petista-chavistas para a eleição de 2026, enquanto o Planalto checa informações via embaixadas em Caracas e Washington. veja.abril+2

Implicações Regionais e Posição Menos Ambígua

Historicamente ambíguo, com Lula defendendo diálogo apesar de tensões como o fechamento de embaixadas em 2020 e exclusão venezuelana do BRICS, o Brasil agora deve endurecer sua postura para projetar estabilidade. O temor de caos pós-Maduro, similar a Iraque ou Líbia, com milícias e Forças Armadas disputando poder, impulsiona o foco em multilateralismo sem escalada retórica. Essa pressão força uma definição clara: condenar violações soberanas, mas priorizar cooperação com EUA para mitigar riscos econômicos e migratórios, abandonando ambiguidades chavistas em favor de uma diplomacia ativa na ONU e região. No longo prazo, isso pode redefinir o Brasil como mediador entre Trump e atores remanescentes em Caracas. cnnbrasil+2

Essa dinâmica revela a fragilidade da autonomia latino-americana frente ao poderio americano renovado, compelindo Lula a navegar entre ideologia e realpolitik em um 2026 já tenso.

Assessoria Cidadão Alerta

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Referências:

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  2. https://www.instagram.com/p/DTFoaCokqND/
  3. https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/nicolas-maduro-passa-noite-em-prisao-de-nova-york
  4. https://www.cnn.com/2026/01/05/politics/trump-venezuela-rodriguez-maduro-democracy-analysis
  5. https://www.youtube.com/watch?v=98467d3bo_g
  6. https://warontherocks.com/2025/12/weak-in-battle-dangerous-in-resistance-venezuelas-military-preparedness-and-possible-responses-to-u-s-action/
  7. https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/01/03/lula-condena-ataque-a-venezuela-inaceitavel.ghtml
  8. https://www.bbc.com/portuguese/articles/c93vqw5j39po
  9. https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/lula-condena-ataque-dos-eua-venezuela-e-cobra-resposta-da-onu
  10. https://veja.abril.com.br/coluna/radar/lula-adota-cautela-sobre-venezuela-para-nao-contaminar-relacao-com-eua/
  11. https://www.dw.com/pt-br/como-a%C3%A7%C3%A3o-dos-eua-na-venezuela-pressiona-diplomacia-brasileira/a-75387135
  12. https://revistaplaneta.com.br/como-acao-dos-eua-na-venezuela-pressiona-diplomacia-brasileira
  13. https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/priscila-yazbek/internacional/brasil-condena-ataque-a-venezuela-mas-deve-manter-dialogo-aberto-com-eua/
  14. https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_Brasil_e_Venezuela
  15. https://www.terra.com.br/noticias/como-acao-dos-eua-na-venezuela-pressiona-diplomacia-brasileira,9650b0752c71a8c1f1fdb25723727194f0hhamlx.html
  16. https://www.youtube.com/watch?v=lsaBchsST9w
  17. https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/clarissa-oliveira/politica/ataque-a-venezuela-tensiona-aliados-de-lula-que-temem-impacto-em-2026/
  18. https://www.instagram.com/p/DTEVlG3FQtQ/
  19. https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/01/03/lula-condena-ataque-dos-eua-a-venezuela-e-fala-em-violacao-do-direito-internacional.ghtml
  20. https://www.chathamhouse.org/2026/01/us-attacks-venezuela-and-maduro-captured-early-analysis-chatham-house-experts