O buraco sem fim da ditadura cubana: crise, protestos e o impasse do regime

A situação de Cuba nos últimos anos é, cada vez mais, um retrato de um país em colapso. O que antes era visto como um modelo de revolução socialista capaz de garantir direitos básicos à população, hoje se transforma em um exemplo de falência econômica, institucional e moral, segundo análises recentes de veículos internacionais e organizações de direitos humanos 2, 5, 3. O regime liderado por Miguel Díaz-Canel enfrenta o que muitos chamam de “agonia de um regime sem saída”.

A crise cubana é multifacetada. No centro, está o esgotamento de um modelo autoritário que, ao longo de décadas, prometeu estabilidade e bem-estar social em troca de liberdades individuais. A promessa da Revolução de 1959, de oferecer o básico à população, hoje é vista como uma “piada” por muitos cubanos, diante da escassez de alimentos, remédios e combustíveis, além dos apagões intermitentes que mergulham cidades inteiras na escuridão 2, 3, 5. O fim da caderneta de racionamento no final de 2024 foi um marco simbólico: o Estado reconheceu que não consegue mais garantir nem mesmo uma lista mínima de itens essenciais para a sobrevivência dos cidadãos 2.

A economia cubana, já debilitada por anos de bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, sofre ainda mais com medidas internas que dificultam a atividade privada e afastam investimentos estrangeiros 1, 3. O governo confiscou dólares e euros de empresas estrangeiras, sinalizando falta de segurança jurídica e afastando o pouco capital externo que ainda circulava na ilha2. O turismo, principal fonte de divisas, despencou, e a rede elétrica, já obsoleta, foi ainda mais danificada por furacões recentes, agravando os apagões e a precariedade dos serviços básicos 3.

O cenário de desespero levou a um aumento sem precedentes dos protestos. Em 2024, foram registrados 8.443 manifestações contra o regime, um crescimento de 46% em relação ao ano anterior, segundo o Observatório Cubano de Conflitos 5. O descontentamento é alimentado pela falta de alimentos, energia, água, transporte e até mesmo serviços funerários. A população, cada vez mais desesperada, vê-se como refém de uma elite de poder que, segundo críticos, é “egoísta, ineficiente, soberba e sem piedade” 5.

A repressão do Estado permanece intensa, com perseguições a opositores, jornalistas independentes e pequenos empresários. Mais de 1.000 pessoas seguem presas por motivos políticos, segundo denúncias de organizações de direitos humanos5. O êxodo de cubanos também atingiu níveis recordes: entre 10% e 20% da população deixou o país entre 2022 e 2024, em busca de melhores condições de vida 3.

O governo tenta reagir, anunciando metas de crescimento econômico e estabilização, mas as perspectivas são sombrias. A inflação continua alta, o salário real perde valor e a produtividade não avança 4. A expectativa de crescimento do PIB para 2025 é de apenas 1%, insuficiente para recuperar a economia e garantir o bem-estar da população 4.

Enquanto isso, o bloqueio econômico dos EUA segue como uma arma poderosa, restringindo o comércio exterior, as transações financeiras e o acesso a tecnologia e capital internacional 1. A campanha contra a colaboração médica cubana é um exemplo de como os EUA buscam isolar ainda mais a ilha, dificultando uma das poucas fontes de renda do Estado 1.

O resultado é um país à beira do abismo, onde a população sofre com a fome, a falta de energia e a repressão, enquanto o regime tenta, sem sucesso, manter o controle político. O “buraco sem fim” da ditadura cubana parece cada vez mais profundo, sem sinais claros de solução à vista. Para muitos, o futuro de Cuba dependerá de mudanças profundas, tanto internas quanto externas, mas, por ora, a ilha segue mergulhada em uma crise sem precedentes.

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Assessoria Cidadão Alerta

Citações:

  1. https://teoriaedebate.org.br/colunas/a-radicalizacao-do-bloqueio-e-a-resistencia-de-cuba/
  2. https://www.gp1.com.br/internacional/noticia/2025/4/21/cuba-esta-quebrada-e-vive-agonia-de-um-regime-sem-saida-diz-wall-street-journal-592525.html
  3. https://www.estadao.com.br/internacional/andres-oppenheimer/como-a-ditadura-de-cuba-deu-um-tiro-no-proprio-pe/
  4. https://teoriaedebate.org.br/2025/02/10/impasses-da-economia-cubana/
  5. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/crise-em-cuba-ong-diz-que-ocorreram-mais-de-8-mil-protestos-contra-o-regime-comunista-em-2024/
  6. https://www.estadao.com.br/internacional/andres-oppenheimer/o-buraco-sem-fim-da-ditadura-cubana-sem-luz-sem-turistas-sem-dinheiro-e-a-espera-de-um-milagre/
  7. https://www.estadao.com.br/internacional/ditadura-de-cuba-busca-milagre-da-energia-solar-para-tentar-sair-da-crise-energetica/
  8. https://www.clubefii.com.br/forum_fundos_imobiliarios.aspx?id_msg=1047661&cod_main_com=1047627
  9. https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/cuba-nos-lembra-por-que-nao-podemos-deixar-o-socialismo-vencer/
  10. https://super.abril.com.br/comportamento/e-se-cuba-abandonasse-o-comunismo/