Universidades brasileiras em queda livre: desafios e perspectivas

A recente divulgação do ranking mundial de universidades trouxe um alerta preocupante para o Brasil: 87% das instituições de ensino superior brasileiras tiveram queda de posição no ranking internacional de 2025, segundo o Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR). Das 53 universidades brasileiras listadas entre as 2 mil melhores do mundo, 46 registraram recuo em relação ao ano anterior, enquanto apenas sete apresentaram melhora 2, 3, 7. O cenário evidencia uma crise profunda, marcada por falta de investimento, cortes orçamentários e pressão crescente de instituições globais cada vez mais competitivas.

A queda no desempenho não é um fenômeno isolado. Segundo o presidente do CWUR, NadimMahassen, o principal fator para o recuo das universidades brasileiras é o enfraquecimento do desempenho em pesquisa, combinado com apoio financeiro limitado do governo. Enquanto outros países priorizam educação e ciência, o Brasil parece perder terreno, incapaz de acompanhar o ritmo de investimentos e inovações que movimentam o cenário internacional 1, 6.

Entre as instituições brasileiras, a Universidade de São Paulo (USP) segue como a melhor do país e da América do Sul, mas também caiu uma posição no ranking, passando do 117º para o 118º lugar. A USP enfrentou declínios em vários indicadores, como qualidade da educação, empregabilidade, qualidade do corpo docente e pesquisa 3, 5, 7. Por outro lado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) teve o maior salto positivo, subindo 70 posições e alcançando o 331º lugar, enquanto a Universidade de Campinas (Unicamp) avançou um degrau, atingindo o 369º posto 2, 4, 7. Essas exceções, no entanto, não são suficientes para reverter a tendência geral.

O cenário é agravado pelo fato de que 43 das 53 universidades brasileiras listadas são federais, que enfrentam crise crônica de financiamento, risco de cortes de serviços e dificuldades para manter a qualidade do ensino e da pesquisa 1. O governo anunciou medidas para evitar o colapso, como a destinação de R$ 400 milhões, mas especialistas apontam que esse valor é insuficiente diante da magnitude dos problemas acumulados 1. A origem da crise está diretamente ligada ao modelo de expansão universitária dos últimos anos, que priorizou a abertura de vagas sem garantir condições objetivas de manutenção, como investimentos em infraestrutura e salários dignos para professores e funcionários 1.

A competição global, especialmente com países como a China, que têm investido pesadamente em educação superior e pesquisa, intensifica ainda mais a pressão sobre as universidades brasileiras 5. O resultado é um sistema universitário que luta para sobreviver, em vez de prosperar e produzir ciência e conhecimento de ponta 1, 5, 6.

Apesar do quadro desafiador, é importante destacar que algumas universidades brasileiras conseguiram avançar, como a UFRJ, Unicamp, UnB, UFMS, UTFPR, FURG e UFTM 2, 3, 4. Esses exemplos mostram que, com investimentos estratégicos e políticas consistentes, é possível reverter parte da tendência negativa. No entanto, a recuperação do sistema universitário brasileiro exigirá muito mais do que medidas paliativas: será necessário um compromisso de longo prazo com a valorização da educação e da pesquisa científica.

Em resumo, a queda das universidades brasileiras nos rankings internacionais é um reflexo de uma crise estrutural, marcada pela falta de investimentos, gestão ineficiente e competição global cada vez mais acirrada. Para mudar esse cenário, é fundamental repensar o modelo de expansão universitária, garantir financiamento adequado e priorizar a qualidade do ensino e da pesquisa. Só assim o Brasil poderá recuperar seu protagonismo na educação superior e na produção de conhecimento.

NEWS LETTER

Assessoria Cidadão Alerta

Citações:

  1. https://www.estadao.com.br/opiniao/universidades-em-queda-livre/
  2. https://www.terra.com.br/noticias/educacao/87-das-universidades-brasileiras-tiveram-queda-de-posicoes-em-ranking-global-em-2025-veja-lista,5e5d2dbf30a78262ae264e310e573850h0kgajfq.html
  3. https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/87-das-universidades-brasileiras-tiveram-queda-de-posi%C3%A7%C3%B5es-em-ranking-global-em-2025-1.1615280
  4. https://www.infomoney.com.br/brasil/87-das-universidades-brasileiras-tiveram-queda-de-posicoes-em-ranking-global-em-2025/
  5. https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2025/06/03/pesquisa-em-queda-cortes-de-gastos-e-china-o-que-explica-o-recuo-das-universidades-brasileiras-em-ranking-mundial.ghtml
  6. https://jovempan.com.br/noticias/educacao/ranking-mundial-mostra-que-87-das-universidades-brasileiras-perderam-posicoes-em-2025.html
  7. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2025/06/03/87-das-universidades-brasileiras-tiveram-queda-de-posicoes-em-ranking-global-em-2025.htm
  8. https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2025/06/02/ranking-global-de-universidades-87percent-das-instituicoes-de-ensino-do-brasil-perdem-posicao-em-lista.ghtml
  9. https://x.com/Estadao/status/1932744629222584423
  10. https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/redacoes/a-crise-das-universidades-publicas-no-brasil.htm