PEC 333/2017: O fim do foro privilegiado e o impacto no sistema político brasileiro


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 333/2017, em tramitação na Câmara dos Deputados, representa uma das mais relevantes tentativas de reforma institucional no Brasil nas últimas décadas. O texto, de autoria do senador Alvaro Dias (Podemos-PR), propõe extinguir o foro especial por prerrogativa de função para crimes comuns, mantendo essa prerrogativa apenas para o Presidente e Vice-Presidente da República, Presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), da Câmara dos Deputados e do Senado Federal 1, 6, 7.
O que é o foro privilegiado?
O foro privilegiado, ou foro por prerrogativa de função, é uma garantia constitucional que determina que autoridades de determinados cargos sejam julgadas por tribunais superiores, e não pela Justiça comum, quando acusadas de crimes cometidos durante o exercício do mandato. Atualmente, cerca de 55 mil autoridades brasileiras possuem esse benefício, incluindo parlamentares, ministros, governadores, magistrados e membros do Ministério Público 3, 7.
O que propõe a PEC 333/2017?
A PEC 333/2017 busca restringir drasticamente o alcance do foro privilegiado, limitando-o apenas aos chefes dos Três Poderes da União e seus substitutos imediatos. Isso significa que deputados, senadores, ministros de Estado, governadores, magistrados, membros do Ministério Público e outras autoridades perderiam o direito ao julgamento em tribunais superiores em casos de crimes comuns, passando a responder perante a Justiça de primeira instância como qualquer cidadão 6, 7.
Além disso, a proposta revoga dispositivos constitucionais que condicionavam o processamento de parlamentares à prévia autorização da respectiva Casa Legislativa, o que tende a agilizar o andamento de processos criminais contra agentes públicos 1, 5.
Motivações e debate público
O principal argumento dos defensores da PEC é o fortalecimento do princípio republicano da igualdade perante a lei. Para eles, o foro privilegiado, originalmente criado para proteger a independência dos cargos públicos, acabou se transformando em um instrumento de impunidade e morosidade processual, dificultando a responsabilização de autoridades por crimes comuns e alimentando a desconfiança da sociedade em relação à Justiça 2, 4, 5.
A aprovação da PEC no Senado, em 2017, foi celebrada como um passo importante para restaurar a credibilidade do sistema judiciário e aumentar a efetividade de leis como a Lei da Ficha Limpa, já que processos criminais contra políticos e autoridades poderiam ser julgados com mais celeridade e menos interferências políticas 2, 4.
Desafios e críticas
Apesar do amplo apoio popular e de setores do Judiciário, a PEC enfrenta resistência e discussões técnicas na Câmara dos Deputados. Críticos alertam para o risco de instabilidade política, pois milhares de magistrados de primeira instância passariam a julgar autoridades de alto escalão, o que poderia gerar decisões conflitantes, perseguições políticas ou insegurança jurídica6. Para mitigar esses riscos, há sugestões de que medidas cautelares, como prisões, só possam ser decretadas por tribunais colegiados, e não por juízes individuais 6.
Situação atual
A PEC 333/2017 está pronta para ser apreciada pelo plenário da Câmara, mas encontra-se parada há anos, apesar da pressão de parte da sociedade e de seu autor7. O debate sobre o foro privilegiado permanece central no contexto das reformas políticas e judiciais, simbolizando a busca por maior transparência, responsabilidade e igualdade no exercício da função pública.
Conclusão
A eventual aprovação da PEC 333/2017 pode marcar uma virada histórica no combate à impunidade e na consolidação da democracia brasileira. Ao restringir o foro privilegiado, o país se aproxima de um modelo institucional mais igualitário, no qual todos, independentemente do cargo, respondem perante a lei nos mesmos termos 5, 6, 7.
Assessoria Cidadão Alerta
Citações:
- https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2140446
- https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2022/06/fim-do-foro-privilegiado-pode-restabelecer-credibilidade-do-supremo-avaliam-senadores
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-06/pec-que-pode-limitar-foro-privilegiado-sai-do-senado-e-ja-esta-na-camara
- https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2022/06/15/fim-do-foro-privilegiado-pode-restabelecer-credibilidade-do-supremo-avaliam-senadores
- https://www.ajufe.org.br/images/2019/PDF2019/AJUFE_Nota_Tecnica_n_8_Foro_Privilegiado_para_cautelares.pdf
- https://www.jusbrasil.com.br/artigos/pec-333-2017-o-fim-do-foro-especial-por-prerrogativa-de-funcao-e-suas-consequencias-faticas/1119224228
- https://www12.senado.leg.br/tv/programas/argumento/2021/09/pec-do-fim-do-foro-privilegiado-completa-1000-dias-parada-na-camara-dos-deputados
- https://www.congressonacional.leg.br/materias/materias-bicamerais/-/ver/pec-10-2013-sf
- https://ammp.org.br/pec-333-2017-pec-do-fim-do-foro-privilegiado/
- https://www.youtube.com/watch?v=rLLs4R0OERU