Governo usa FGTS como garantia para crédito consignado privado: avanços e polêmicas


Recentemente, o governo federal lançou uma nova modalidade de crédito consignado destinada aos trabalhadores formais do setor privado, permitindo o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) como garantia. A medida, anunciada em março de 2025, tem como objetivo ampliar o acesso ao crédito com juros reduzidos, facilitar a renegociação de dívidas, estimular o consumo e impulsionar a economia. No entanto, também gerou debates sobre os impactos financeiros para os trabalhadores, como o possível comprometimento de recursos futuros e a redução da proteção em casos de demissão sem justa causa[1][2].
Como funciona o crédito consignado com FGTS como garantia
O novo programa permite que trabalhadores celetistas utilizem até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa como garantia para empréstimos consignados. Nessa modalidade, as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento, o que reduz os riscos de inadimplência para os bancos e possibilita taxas de juros até 40% menores em comparação com outras linhas de crédito[3][2].
Por exemplo, se um trabalhador tem R$ 100 mil no FGTS e utiliza R$ 50 mil como garantia para um empréstimo, ele poderá sacar apenas os R$ 50 mil restantes em caso de demissão. Caso a dívida exceda o valor dado em garantia, o saldo será transferido para o próximo emprego, acumulando juros sobre os valores não pagos[1][4].
Impactos econômicos e alcance
Desde seu lançamento, a nova linha de crédito movimentou R$ 3,3 bilhões em apenas duas semanas. O governo estima que mais de R$ 100 bilhões poderão ser liberados nos próximos meses. Com cerca de 47 milhões de trabalhadores formais no Brasil, incluindo empregados rurais e domésticos, a expectativa é que a medida beneficie uma ampla parcela da população anteriormente excluída desse tipo de financiamento[5][4].
Além disso, a iniciativa busca aliviar o endividamento dos trabalhadores ao oferecer uma alternativa mais barata a modalidades tradicionais como cheque especial ou cartão de crédito rotativo. Em dezembro de 2024, por exemplo, as taxas médias do consignado privado eram de 2,89% ao mês, enquanto as taxas do cartão rotativo ultrapassavam os 10% ao mês[4].
Críticas e preocupações
Apesar dos benefícios anunciados, o programa enfrentou críticas significativas. Muitos especialistas apontaram que usar o FGTS como garantia pode comprometer a segurança financeira dos trabalhadores em caso de demissão. O economista Gil do Vigor destacou que essa prática pode aumentar o risco de endividamento das famílias em momentos delicados[6]. Além disso, há insatisfação com o baixo rendimento anual do FGTS (cerca de 3% mais Taxa Referencial), que é considerado insuficiente frente à inflação e aos juros cobrados nos empréstimos[7].
Outro ponto polêmico é a percepção de que o governo estaria “emprestando ao trabalhador seu próprio dinheiro”. Isso ocorre porque o FGTS é uma reserva financeira destinada à proteção do trabalhador em situações como demissão ou aposentadoria. Críticos argumentam que utilizar esse fundo como garantia pode limitar sua função original e aumentar a dependência dos trabalhadores em relação ao sistema bancário[7][6].
Considerações finais
O crédito consignado com FGTS como garantia representa um avanço na democratização do acesso ao crédito no Brasil. Ele promete aliviar as taxas de juros elevadas e ampliar as opções financeiras para milhões de trabalhadores formais. No entanto, os riscos associados à perda parcial do FGTS em casos de demissão e ao aumento do endividamento exigem atenção.
A regulamentação completa da medida ainda depende da aprovação pelo Congresso Nacional nos próximos meses. Até lá, é essencial que os trabalhadores avaliem cuidadosamente suas condições financeiras antes de aderir à nova modalidade[3][2].
Assessoria Cidadão Alerta
Citações:
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/03/22/consignado-para-clts-banco-podera-pegar-fgts-do-trabalhador-dado-como-garantia-em-caso-de-demissao-entenda.ghtml
- https://noticias.uol.com.br/comprova/ultimas-noticias/2025/03/21/entenda-a-mp-que-cria-nova-linha-de-credito-consignado-para-quem-e-clt.htm
- https://www.cut.org.br/noticias/saiba-como-vai-funcionar-o-emprestimo-com-garantia-do-fgts-e-nao-caia-em-fake-ne-a4ba
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/03/24/consignado-clt-governo-espera-que-emprestimos-com-garantia-do-fgts-superem-r-100-bilhoes-em-tres-meses.ghtml
- https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/04/04/consignado-clt-movimenta-r-33-bilhoes-em-duas-semanas-governo-espera-mais-intensidade-dos-bancos-a-partir-do-dia-25.ghtml
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/financas/emprestimo-consignado-clt-com-fgts-como-garantia-vale-a-pena-contratar/
- https://www.estadao.com.br/economia/pedro-fernando-nery/emprestimo-consignado-privado-fgts/