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O Desatre das chuvas - a história se repete.


publicada em 23 de janeiro de 2012

O DESASTRE DAS CHUVAS:  o descaso dos governantes permite que a história se repete todos os anos.

Os problemas recorrentes provocados pelas chuvas em São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo e Minas Gerais, com a perda de várias vidas, são um vergonha. São um exemplo da falta de compromisso dos gestores públicos com a população.

Vamos a forra!.  Este ano temos eleições.

Vejam matéria abaixo publicada por Veja sob o titulo “Tão impiedoso quanto a chuva”.


Fonte:  Veja 11/01/12 (edição 2251) – paginas 54 e 55
 
 

“Em pré-campanha, o ministro da Integração Nacional manda quase toda a verba antienchente para sua base eleitoral e deixa ao léu os estados mais atingidos pelas intempéries

A história se repete todos os anos. O verão chega e, com ele, as tempestades que provocam enchentes, derrubam barrancos e ceifam vidas. Neste ano, a tragédia se abateu com maior força sobre Minas Gerais. Até a última sexta-feira, as chuvas de janeiro tinham matado pelo menos dez pessoas no estado e deixado 11900 desalojadas, além de 99 cidades em estado de emergência. No Rio de Janeiro, onde há um ano os temporais mataram 918 pessoas, nada menos que 33000 tiveram de deixar suas casas na primeira semana de 2012 e mais duas mortes foram registradas. No vizinho Espírito Santo, os desalojados chegaram a 2000. Os números chocam por vários motivos. O principal deles é que, entra ano, sai ano, as tragédias se repetem e os governantes não se antecipam para remover quem mora nas áreas de risco ou fazer as obras necessárias para evitar os desastres quando a chuva chega. É como se eles se esquecessem, propositadamente, do que aconteceu no verão anterior. Para além disso, há uma razão a mais para se indignar.
Um levantamento da organização Contas Abertas mostrou que 90% das verbas pagas no orçamento do ano passado como parte do programa federal de prevenção de desastres naturais tiveram como destino um só estado, Pernambuco. Não por coincidência, é a terra do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, responsável por gerir os recursos. Não é só. Pernambuco também lidera a previsão de gastos, para este ano, das verbas destinadas à gestão de riscos e resposta a desastres, com 81 milhões de reais programados para sair, enquanto o Rio de Janeiro, apesar de seus quase 1000 mortos nas chuvas do ano passado, espera por 73 milhões de reais. O ministro Fernando Bezerra se defendeu indignado, dizendo não aceitar discriminação contra Pernambuco simplesmente por ser seu estado de origem. "Não existe aqui política partidária", estrilou. O pior é que o vergonhoso flagrante não é novidade. Já faz algum tempo que o ministério hoje comandado por Fernando Bezerra vem sendo usado como platô político para interesses paroquiais. No governo Lula, o peemedebista Geddel Vieira Lima, que sentou na cadeira que Bezerra agora ocupa, privilegiou descaradamente a Bahia antes de sua malfadada candidatura ao governo estadual em 2010: de meio bilhão de reais, quase metade foi para prefeituras baianas, em especial para as comandadas pelo seu PMDB. Fernando Bezerra, pré-candidato à prefeitura do Recife nas eleições deste ano, repete a receita. "É óbvio que os maiores investimentos deveriam ir para as cidades que historicamente são mais afetadas. Mas ministros sem diretriz seguem seus interesses particulares. É uma demonstração de subdesenvolvimento político", diz o cientista político Rubens Figueiredo.
O Palácio do Planalto deu sinais de que não só não sabia como não gostou da desfaçatez de Bezerra. Tão logo os números vieram a público, acompanhados das notícias sobre os estragos causados pelas chuvas no Sudeste, a ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, voltou das férias. Foi preciso um telefonema de Gleisi para que o ministro Bezerra também interrompesse seu descanso e retornasse a Brasília (até então, ele curtia absorto a ensolarada e animada praia pernambucana de Porto de Galinhas). De pronto, o Planalto ensaiou uma intervenção branca no ministério, avocando para si todas as liberações de verbas antienchentes. Mas, a partir desse instante, infelizmente, a política de estado voltou a dar lugar à política de ocasião, aquela mesma que impede os governantes de fazer o óbvio para evitar tragédias. O PSB, partido do ministro Bezerra e de seu padrinho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, reclamou da "ingerência" da Casa Civil e exigiu retratação. Mais que depressa, para não melindrar o aliado, a própria ministra Gleisi Hoffmann fez circular uma nota negando a intervenção e assegurando que o ministro, ao contrário do que o próprio Planalto sugerira horas antes, continuaria responsável pelos projetos. O problema político foi equacionado. O drama real, porém, segue sem solução.
A pequena vitória de BH
Belo Horizonte é uma das mais castigadas cidades do estado mais afetado pela temporada de chuvas. Nos últimos dois meses de 2011, choveu por lá 65% do previsto para todo o ano. A capital mineira tem, entretanto, uma lição a dar. Desde 1993, o poder público reduziu em 81% o número de casas localizadas em áreas de risco. Como consequência, a cidade não registra mortes em deslizamentos de encostas há três anos. Para chegar a esse resultado, o governo cumpriu uma tarefa básica: parou de atuar apenas quando já era tarde demais e começou a agir sistematicamente, ao longo de todo o ano, para evitar a ocupação ou a reocupação dos locais condenados. O primeiro passo foi a realização de um mapeamento geológico do município. As áreas suscetíveis a deslizamentos foram identificadas e seus moradores, cadastrados. Em seguida, a administração passou a fazer as desapropriações e demolições necessárias. Hoje, restam apenas 2800 moradias em locais considerados perigosos. Essas casas são monitoradas permanentemente por técnicos da prefeitura. Ao menor sinal de comprometimento estrutural, seus moradores são removidos. A maior parte dos terrenos considerados instáveis também já está cercada por muros de contenção e recebe a visita periódica de fiscais para assegurar que continuará desocupada. São medidas elementares – e insuficientes para resolver o drama das enchentes (a capital mineira apresentava oitenta pontos de alagamento na semana passada). Mas elas permitem que o estado cumpra sua ainda elementar obrigação de não deixar seus cidadãos expostos à tragédia iminente – uma pequena vitória que o governo do Rio de Janeiro, por exemplo, ainda não conseguiu obter. No ano passado, os moradores da serra fluminense foram vítimas do maior desastre natural da história do Brasil. Um temporal seguido de uma série de deslizamentos resultou na morte de 918 pessoas e produziu 30000 desabrigados. Após um ano, não houve sequer um reassentamento na região e, pior, a quase totalidade dos desabrigados voltou a viver nas áreas de risco. O governador Sérgio Cabral (PMDB) justificou a letargia do seu governo alegando que "é difícil encontrar terrenos seguros" para transferir os moradores. Quem sabe quando for tarde demais...”
Créditos/Fonte/Origem:  Revista Veja

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