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Impeachment é a solução, sim ou não?


publicada em 14 de maio de 2016


IMPEACHMENT É A SOLUÇÃO, SIM OU NÃO?
 

Esta é uma dúvida que certamente preocupa a muitos brasileiros.   Será que o impeachment vai resolver os inúmeros problemas institucionais e econômicos que estamos vivenciando? Certamente que não, mas em nossa opinião pior do que está não ficará.   Temos que reconhecer que a Presidente Dilma cometeu muitos erros, o que a levou a perder credibilidade e  apoio do Congresso, tornando o seu governo  inviável.

Esse processo é muito doloroso, principalmente para as classes menos favorecidas, que estão sofrendo com a falta de emprego e precariedade dos serviços básicos, tais como  saúde, educação, transporte e segurança; que nunca foram bons mas agora estão muito pior. 

Temos que reconhecer que grande parte da culpa por este difícil momento que vivemos é de certa forma nossa, eleitores, que não temos dado  ao nosso voto o valor que ele merece.  Não podemos eleger um governante ou parlamentar apenas pela sua aparência, pelas suas promessas, sem conhecer o que ele realmente é, sua experiência, sua capacidade de liderar, sua honestidade - não somente no sentido restrito, de não roubar, mas também no sentido ser respeitado por cumprir as suas promessas - por honrar as leis e defender os interesses da nação, por colocar os interesse do país acima dos interesses pessoais,  do seu partido, dos seus aliados.

Não podemos deixar nos enganar quando alguém tenta nos vender a imagem de uma pessoa que não conhecemos.  Isso foi o que se passou com a candidata Dilma Rousseff, que, sem nunca ter sido política, foi lançada candidata à Presidência da República pelo Ex-Presidente Lula, pessoa a quem muitos eleitores admiravam.  Acontece que nem o próprio Lula conhecia muito bem a candidata, e a vendeu para a população como se fosse ela a melhor opção para governar o Brasil.  Esse foi o grande equivoco  dos eleitores, acreditarem no que o Lula dizia. E como se não bastasse a eleição de 2010, os mesmos eleitores voltaram a reelegê-la em 2014, num momento em que a economia do país já dava fortes sinais de fracasso, momento em que as marolinhas da crise global, conforme intitulou Lula, começavam a arrastar a nossa economia, mas o governo Dilma escondia isso dos eleitores.

Embora sem experiência, devemos reconhecer que a Presidente Dilma surpreendeu no inicio do seu primeiro mandato,  quando deu sinais de que no seu governo não haveria espaço para  corrupção, demitindo alguns ministros acusados de envolvimento em transações escusas. Com essa atitude a presidente recebeu manifestações de apoio de vários segmentos da sociedade, incluindo a Cidadão Alerta, que lhe enviou um oficio, pois  passaram a ver nela a esperança de que o Brasil seria passado a limpo, de que os crápulas e assaltantes dos cofres públicos, que haviam se instalados no governo e empresas públicas, seriam dizimados. Mas infelizmente isso não aconteceu.  A presidente acabou por ceder á pressão do seu partido, o PT, que havia construído sua base de sustentação no poder através da negociação de ministérios e cargos em organismos públicos e estatais, onde os larápios se estruturaram para negociatas e desvio de dinheiro público.  Graças a Deus que aí surgiu a operação Lava a Jato para interromper esse processo criminoso, porque não fosse isso imagina o caos em que estaria o país hoje.   

Como vivemos num sistema Presidencialista, em que o mandatário da República é eleito pelo povo, o seu afastamento, em caso de crime de responsabilidade, tem que ser feito através do Congresso Nacional, com recebimento do processo acusatório pela Câmara e julgamento pelo Senado, o processo se torna complexo e demorado.   Complexo porque se trata de um processo político, no qual muitas posições e interesses são debatidos. E demorado porque além das várias etapas definidas no rito, são inúmeros os recursos e artimanhas apresentados pelas partes durante a tramitação do processo, na sua maioria com o objetivo de procrastinação, ganho de tempo.

Isso seria diferente se vivêssemos num regime Parlamentarista, cujo sistema contempla um Presidente da República eleito pelo povo, que é o chefe do estado e representante da nação; e um Primeiro-Ministro, chefe do governo, que é eleito pelo Congresso e tem a função de governar o país. Neste regime fica muito mais fácil resolver questões como a que enfrentamos agora, pois o próprio Congresso, em um processo simples, pode destituir o Primeiro Ministro e eleger um substituto.

Entretanto, sendo neste momento o Brasil uma Republica Federativa, com sistema de governo Presidencialista, não temos como fugir da forma como o proposto processo de impeachment em curso contra a Presidente Dilma está sendo conduzido.   O que temos que fazer é acompanhar, com paciência e responsabilidade,  e aceitar o resultado qualquer que seja ele, favorável ou não à  presidente,  desde que o processo transcorra dentro dos princípios assegurados pela Constituição e leis.   Vivemos numa democracia, portanto devemos aceitar com resignação o resultado da maioria, como ocorreu na eleição de Dilma e que pode ocorrer agora com o seu afastamento.   

O momento é crítico e muitas opiniões divergentes, mas não temos como deixar de reconhecer que a Presidente Dilma, pelo seu despreparo como gestora, falta de experiência política e, principalmente, falta de jogo de cintura, conduziu o país para o buraco negro em que se encontra.  E os sinais nos mostram que a situação a cada dia piora, e que a nossa economia caminha para posição semelhante ao que hoje se passa com a Venezuela. Veja que a avaliação do Brasil pelas agências de risco tem caído mês a mês.  Isso é muito ruim, pois é com base nessas avaliações que o mercado externo  e investidores nos avaliam quanto a risco de investimentos ou risco que correm de levar calote, restringindo empréstimos à empresas brasileiras, aumentando juros, vendendo ativos no Brasil e gerando desemprego.

O momento é muito difícil, todos sabemos, mas não podemos jogar a toalha.  Sabemos que a Presidente Dilma já não tem credibilidade e apoio da sua própria base para continuar no governo. E que os seus desmandos, através das pedaladas, entre outros, não lhe deixam alternativas.   O processo no Senado avança e o impeachment parece inevitável.   Passado a fase de aceitação, com o afastamento automático da Presidente por até 180 dias, tanto nós, o povo, quanto a Presidente, continuaremos vivendo esta novela até que a votação final seja decidida e a Presidente retorne ao cargo ou seja definitivamente afastada.  Até lá, por maior boa vontade que tenha o Presidente interino, muito o país ainda tem a perder, pois empresários e investidores, principalmente do mercado externo, certamente aguardarão com certa reserva o fim deste drama para voltarem a  investir no país.

Sabemos que o simples afastamento da Presidente Dilma, por impeachment ou por renuncia, por si só não resolverá o problema, pois a situação econômica do país é crítica e muito trabalho será necessário para colocar o país de volta aos trilhos, e para isso quem estiver no comando tem que conquistar a confiança e o apoio do congresso e da população para fazer as reformas que são necessárias.

Numa análise isenta e sem emoção, pensando exclusivamente no país, nos parece que a melhor solução para a crise que vivemos neste momento seria a renuncia da Presidente Dilma.  Isto poderia ser uma decisão difícil, mas se consideramos que a probabilidade do impeachment acontecer é alta, cremos que ela deveria colocar o orgulho e a vaidade de lado e fazer este grande favor ao Brasil, minimizando as nossas angustias e trazendo esperanças para que o país retorne à sua normalidade.

Independentemente do que venha a acontecer, com o impeachment ou não da Presidente Dilma, temos que reconhecer que os brasileiros estão amadurecendo politicamente e que nada disso estaria acontecendo se não fossem as manifestações populares.  E isso com certeza não vai acabar com a simples substituição da Presidente, pois o povo está atento e não tolerará qualquer deslize de quem quer que seja, independente de partido ou tendência.
 
     Ivo M. Araujo
Associação Cidadão Alerta
 


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