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Opinião de um especialista sobre PORQUE A POLICIA É ACUSADA DE MATAR.


publicada em 21 de novembro de 2013

Vejam abaixo a opinião de um especialista em segurança pública, Coronel Jorge Costa Filho, da Policia do Estado do Paraná, sobre os problemas que causam violência no Brasil.
 


"PORQUE A POLÍCIA É ACUSADA DE MATAR?
      
             Com muito orgulho sou Coronel da Reserva da Polícia Militar do Paraná e não poderia deixar de colocar em público a minha opinião como profissional da segurança pública com mais de 30 anos de experiência prática e não teórica, sobre uma matéria veículada na edição do dia 10 de novembro de 2013 com o título “1 PESSOA MORRE A CADA 2 DIAS EM CONFRONTO COM A POLÍCIA”.
 
            O que lemos e não podemos concordar é quererem comparar as estruturas de segurança do Brasil com a dos Estados Unidos, pois é como querer comparar um veículo 1.0 com uma Ferrari.
 
            Nos Estados Unidos, quando um marginal vai preso, ele fica preso.
            No Brasil, quando um marginal vai preso, em virtude de nossa legislação e de nossa estrutura carcerária, ele sai livre da delegacia em muitos casos, antes mesmo do policial que o prendeu terminar de preencher a “papelada”.
            Nos Estados Unidos, se o marginal atira contra um policial a população e a mídia, ficam consternadas.
            No Brasil, se o marginal atira contra um policial, tanto a população como a mídia encaram isso simplesmente como um “risco da profissão”.
            Nos Estados Unidos, se um marginal atirar contra um policial a pena é severa.
            No Brasil, se um marginal atirar contra um policial ele fica famoso, principalmente entre seus comparsas.
           
            Essas comparações acima descritas são para que percebam que não tem como comparar dois países com estruturas e culturas tão distintas.
 
            Mas agora vou explanar sobre o porquê aumentou o número de confrontos entre policiais e marginais.
            Quando a população (os marginais que estão incluídos nesse contexto) ouve os responsáveis pela segurança de nosso Estado e infelizmente não é diferente nos demais Estados, virem a público dizer que as cadeias estão superlotadas, que não tem como receber mais presos e que muitas estão interditadas pela justiça por falta de condições; que não tem policiais civis em numero suficiente para dar conta dos processos, e conforme saiu na edição da Gazeta do Povo do dia 16 de novembro de 2013, que o número de Delegados da Polícia Civil diminuiu de 2009 para 2013 de 415 para 331 e que o número de Comarcas sem Delegados aumentou no mesmo período de nenhuma para 43 e que a muito tempo só estão ficando presos apenas aqueles que não têm como responder em liberdade.
            Essa mesma informação repassada por parte de nossas autoridades e que é recorrente nos últimos anos foi alterando o comportamento dos marginais, pois como sabem que apesar de cometerem crimes, mas que em virtude da “falência da estrutura de segurança pública”, a probabilidade de ficarem impunes é muito grande, e que independente de reagirem ou não contra uma abordagem da PM, mesmo que sejam presos, em pouco tempo, quer seja por falta de espaço ou pelas facilidades que nossa legislação oferece para que se responda aos processos em liberdade, logo estarão livres para cometerem novos crimes,
            E caso venham a ferir ou mesmo matar um policial, para eles isso é como um “troféu”, pois além da impunidade ainda ficam famosos entre seus comparsas de crime.
            Porém, o que a população, os “doutores em segurança” e uma parcela de nossa mídia ainda não associaram, é que essa alteração de comportamento não foi direcionada somente contra os policiais, mas contra toda a população.
            Todos os dias, presenciamos mais e mais cenas de violência “gratuita” durante assaltos, onde vemos pessoas inocentes perdendo a vida em situações inimagináveis alguns anos atrás.
            E essa mudança de comportamento não ocorreu só nos grandes centros, mas também nas pequenas cidades onde até a pouco tempo a tranquilidade e a segurança eram coisas comuns, mas onde hoje também vivem com medo da violência.
            Diante de tudo isso, os policiais que estão todos os dias colocando suas vidas em risco em prol da segurança de nossa sociedade, tiveram que ir se adaptando a esse aumento da violência por parte dos marginais e a consequência direta foi uma reação mais efetiva, que acabou se transformando num aumento do número de confrontos e consequentemente um maior número de óbitos.
            Por isso gostaria que aqueles que gostam de estudar sobre a teoria da violência, realmente se dedicassem mais ao assunto e olhassem o problema de uma forma mais ampla e não de forma simplista, simplesmente analisando o efeito do problema, que nesse caso são os números de óbitos em confronto com a polícia, mas que fossem estudar a mudança do comportamento dos marginais e o que levou a isso. Aí, quem sabe poderiam ir cobrar das autoridades uma melhora em toda a estrutura de segurança do Estado, tanto na parte estrutural como humana, e com certeza o resultado direto seria que os ladrões que chegam a ser presos inúmeras vezes num único ano, fiquem presos respondam por seus crimes e tal resposta por parte do Estado, com certeza refletirá diretamente numa diminuição do número de confrontos e número de mortes por parte da polícia, mas principalmente no comportamento dos marginais que irão “matar” menos inocentes de nossa sociedade, pois terão a certeza de que caso venham a cometer esse tipo de violência, a justiça será feita e que serão penalizados de imediato, o que não acontece hoje.
            Também faço questão de deixar claro que sou contra a violência, e que todos os excessos devem ser cobrados com o rigor da lei, mas que ações efetivas resolvem muito mais o problema do simples teorias simplistas.
           
CEL PM RR JORGE COSTA FILHO
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